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Atalhos - Cefle

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É curioso notar dois fatos em nossa história: em 1542 surgiu a primeira "Carta Régia" brasileira, com normas disciplinares acerca do corte de madeira, e, trezentos anos mais tarde, nosso imperador D. Pedro II tenta sancionar uma lei que proibia a exploração florestal (tal lei, porém, foi ignorada). Como conseqüência do corte não-planejado e meramente exploratório, o ciclo do pau-brasil encerra-se em 1870 e a espécie, que leva o nome do próprio país, é considerada extinta em 1920. Quantas outras espécies já tiveram tal fim e aguardam destino tão sombrio? Milhares, talvez milhões [3] .

Para quê, então, educação ambiental? Se partirmos do princípio de que a educação é, lato sensu, uma forma de resolver problemas de forma permanente e com o intuito de encontrar sempre soluções melhores para os problemas, podemos definir, grosso modo, a educação ambiental como sendo, fundamentalmente, uma educação para a resolução de problemas. Esta educação parte, de modo geral, de bases filosóficas do holismo, da sustentabilidade e do aprimoramento [4]. A questão que norteia a discussão é: estamos em um mundo invariavelmente caótico, de crescimento populacional acelerado, esgotamento dos recursos naturais, falta de trabalho e perspectivas decentes de vida para bilhões de pessoas. Tornar-se agente de mudanças no próprio ambiente parece ser a única solução viável para a humanidade que iniciou o Novo Milênio com crises tão ameaçadoras quanto as da falta de água, do colapso energético e das guerras envolvendo organismos microscópicos.

Como podemos definir a meta geral da educação ambiental? Uma das respostas pode ser encontrada na conhecida "Carta de Belgrado", de 1975, que foi escrita por vinte especialistas em educação ambiental, oriundos de várias partes do mundo. Neste documento, a meta geral da educação ambiental é desenvolver um cidadão consciente do ambiente total, preocupado com os problemas associados a esse ambiente e que tenha o conhecimento, as atitudes, motivações, envolvimento e habilidades para trabalhar individual e coletivamente em busca de soluções para resolver os problemas atuais e prevenir os futuros [5]. Nesta mesma visão, podemos dizer que "(...) os riscos que se apresentam à humanidade, criados pela civilização, restituem para o homem a aventura de retomar seu destino e controlá-lo. O que antes ele fazia temendo aos deuses, aos quais já não teme, com medo das pragas, que já controla, submetido ao desconhecido, que já conhece, agora o homem terá que fazer diante dos riscos que criou. Terá que enfrentar um deus maluco chamado homem, uma praga que ele criou chamada poder científico e tecnológico e tentar desvendar um desconhecido chamado ele mesmo, seu sistema econômico, sua relação com a natureza, a essência de seu projeto civilizatório. E dominá-lo" [6] .

A educação ambiental, portanto, enquanto ferramenta contínua e básica de mudança de consciência, deve ser vista como um processo transcultural e transgeracional para a busca de soluções aos problemas do mundo atual.

Fernando Santiago dos Santos
Fundação Pró-Verde


Fernando Santiago dos Santos é Bacharel e Licenciado em Ciências Biológicas pela Unicamp, Mestre em História da Ciência pela PUC-SP, tradutor, intérprete, professor e diretor de educação ambiental na RPPN Rizzieri/Fundação Pró-Verde (São Sebastião, SP).



3 - A questão da extinção de espécies é palco para discussões polêmicas entre os acadêmicos. O pau-brasil, embora tenha sido considerado extinto local e ecologicamente, pois já não é encontrado espontaneamente nas matas nativas, ainda sobrevive em indivíduos plantados em hortos florestais, orquidários e outros locais, no Brasil e em outros países.

4 - Secretaria do Meio Ambiente, op. cit., p. 17.

5 - Idem, p. 22.

6 - Tauk, S. M., org. Análise ambiental - uma visão multidisciplinar. São Paulo, Editora Unesp/Fapesp, 1991, p. 150. Para quem quiser ler mais sobre meio ambiente e educação ambiental, sugere-se a leitura de: Coordenadoria de Educação Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente de São Paulo. Guia didático sobre o lixo no mar. São Paulo, SMA, 1997; e Secretaria de Estado do Meio Ambiente. Educação, meio ambiente e cidadania - reflexões e experiências. São Paulo, SMA/CEAM, 1998.
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