- Planeta em Evolução - 08/11/2001
- Reflexão,
Vida e Felicidade
Olá
meu amigo, como vai o seu coração?
Gostaria
de aproveitar esses escritos para conversar um pouco com você.
Às vezes estamos tão atarefados com o mundo à nossa volta, que
esquecemos de olhar para o nosso próprio interior, esquecemos
de viver a nossa própria vida. Gostaria, portanto, que nesse momento,
enquanto você corre os olhos pelas palavras aqui escritas, se
despojasse de toda e qualquer preocupação. Ao menos por alguns
minutos, peço a você que se esqueça do mundo à sua volta, dos
problemas do dia-a-dia, das ocupações que lhe tomarão o tempo
a seguir. Nesse instante, entregue seu corpo e alma a esse pequeno
texto, deixando-o falar com o mais profundo de sua consciência.
Nosso
planeta é um lugar muito interessante. Suas formações são de uma
beleza tão incrível que se torna quase impossível passar ileso
por certos eventos, como um pôr-do-sol, uma noite enluarada, um
céu estrelado, um arco-íris que cruza o firmamento. Eu disse quase,
pois não é raro que tais acontecimentos passem despercebidos,
ignorados.
Hoje
em dia, vivendo em nossas cidades de concreto, muitos não são
capazes de notar a beleza do lugar onde estamos. Esquecem que
mesmo com todas as formas de poluição, com toda a devastação e
com todos os edifícios que o "progresso" ergueu perante nossos
olhos, a natureza dá ainda seu espetáculo. O pôr-do-sol continua
sendo belo, ainda que envolvido por um horizonte cinza. A Lua
continua formosa em sua viagem noturna, ainda que o brilho da
cidade tente ofuscar sua maravilhosa luz.
Desejo agora que você, meu amigo, pense por alguns
instantes e responda sinceramente: quando foi a última vez que
foi capaz de se encantar com o brilho das estrelas, com a dança
das nuvens e com o olhar radiante das pessoas que por seu caminho
passam? Quando foi a última vez que você dirigiu seu olhar ao
mundo, e pôde dizer em seu íntimo: "Como é bom estar aqui!"? Quando
foi a última vez que você repassou sua vida em pensamento e foi
capaz de dizer honestamente: "Eu sou feliz!"?
Vivendo
na correria das grandes cidades, tais questionamentos praticamente
não têm vez. Enquanto estamos ocupados em acordar cedo, ir ao
trabalho, estudar, comer, enfim, sobreviver, deixamos a vida em
si passar a nosso lado. Pensamos ingenuamente: "Ah, daqui a pouco
eu a alcanço. Trabalho duro agora, mas quando me aposentar vou
poder viver muito bem!". E assim prosseguimos adiando a felicidade
e deixando de viver a vida em si, passando a viver em função de
um futuro.
Pense
bem amigo, o que tem feito de sua vida? Nesse exato instante,
volte a consciência para o seu dia-a-dia, para a rotina que sucede
seu acordar, e responda a essa simples questão: Você é feliz?
Não deixe para refletir sobre isso mais tarde, em alguma outra
hora. Essa hora já passou, já estamos todos atrasados! É feliz
ou não?
Pense
sobre o que te move nesse dia-a-dia. O que faz com que você acorde
na hora em que acorda, e faça as atividades que faz? O que faz
com que você vá ao trabalho, à faculdade, à escola e a todos os
outros lugares por onde passa em seu ir-e-vir? E antes que responda:
"Porque preciso de dinheiro, preciso pagar as contas, preciso
alimentar meus filhos, etc...", pense um pouquinho mais além e
questione seu íntimo: "Por que preciso de dinheiro? Por que preciso
pagar as contas? Por que preciso trabalhar tanto?". E, por favor,
não pare por aí, mas siga além, questionando o porquê de cada
resposta, buscando assim a raiz de cada ato por você realizado.
Perceba
por você mesmo! Veja o que busca, o que te trouxe a esse planeta,
o que fez com que você esteja aqui nesse preciso lugar e nesse
exato instante. E se, no final, a única resposta que puder me
dar for "para conseguir ser feliz", aí meu amigo, pode ter certeza
de que você tem pela frente um grande caminho de reflexão.
Não
há dúvidas de que buscamos em nossa convivência diária uma felicidade
plena. Enquanto trabalhamos, estudamos, ou seja lá o que fizermos,
estamos em busca de conhecimento, dinheiro e oportunidades, os
quais poderão suprir as nossas necessidades (se é que essas necessidades
são realmente nossas), fazendo assim com que possamos nos sentir
bem, ou seja, sermos felizes.
Se
o final de tudo isso, se o objetivo de toda essa complexa estrutura
de que fazemos parte é sermos felizes, há certamente algo de errado
com nosso dia-a-dia. Se deixamos de ser felizes para entrar na
correria do mundo cotidiano (correria esta cujo objetivo é no
final trazer a felicidade, fazer com que nos sintamos bem), deparamo-nos
então com um grande paradoxo: vivemos para sermos felizes, mas
abdicamos dessa felicidade para participar de um processo que
na verdade busca a felicidade. Há algo errado, não?
Portanto,
meu amigo, pense novamente sobre sua vida, sobre o modo como acorda
de manhã, sobre o que sente quando vai ao trabalho, à escola ou
a qualquer outro lugar.
Se
quando o despertador toca você sente vontade de desligá-lo e continuar
dormindo. Se em seu peito floresce certo desânimo por ser "obrigado"
a mais um dia de trabalho. Se o viver diário não é mais um viver,
mas uma obrigação. Então, meu amigo, é hora de rever a sua vida,
seus valores, suas motivações.
A felicidade não precisa ser um objetivo distante,
mas pode ser fruto do próprio processo. E quando conseguirmos
realmente VIVER esse processo, acordando felizes por mais um dia
que se faz presente - por podermos trabalhar (entendendo o porquê
da escolha pelo trabalho), estudar, aprender, sorrir e viver -
não haverá mais preocupação, pois não haverá mais um futuro distante.
Viveremos o processo, viveremos o instante, viveremos a própria
felicidade. Esta, por sua vez, deixará de representar um mero
ideal, passando a ser o próprio caminho.
Para
finalizar, deixo aqui algumas palavras de um amigo que disse certa
vez: "Aquele que deita o corpo no leito sem se lembrar de agradecer
à vida por mais um dia de oportunidades, já é um zumbi antes mesmo
de apagar".
Gustavo
Mormesso de Abreu
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Gustavo
Mormesso de Abreu é graduando em psicologia pela Universidade
Mackenzie e dedica-se ao estudo de temas ligados à Ciência,
Filosofia e Espiritualidade.
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