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Atalhos - Cefle

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Dessa simples análise podemos tirar a primeira conclusão que já nos dá bastante o que refletir. O que sentimos como som só ocorre dentro do nosso cérebro, não no ambiente. É muito importante que esse conceito fique claro para todos nós, pois, por uma falta de reflexão simples, nós acabamos por interiorizar um conceito que acaba se mostrando um tanto confuso. Por exemplo:

Quando entramos numa sala onde está tocando um CD, o que dizemos? Que o som do CD está preenchendo a sala. Aí é que está a confusão. Na verdade, no ambiente não há som (como costumamos chamar), há apenas ar se movendo. O som e a música só "nascem" nas nossas mentes. Tecnicamente, não há som ou música num ambiente. Estes só ocorrem em nossas mentes. O que ocorre no ambiente é vibração do ar.

Essa abordagem pode parecer um pouco fria e desanimadora, mas não é! Muito pelo contrário. Primeiro ela nos permite perceber o quão maravilhoso é esse sentido que chamamos de audição, e nos permite refletir e nos perguntar:

Quem realmente ouve? O cérebro, a mente, o espírito "encaixado" no corpo ou a consciência por trás de tudo?

O que é realmente o sentido da audição, senão uma capacidade fantástica de "sentir" as vibrações no ar à nossa volta e interpretá-las?

Você já parou para pensar alguma vez que ouvir é a capacidade de sentir o ambiente à sua volta?

Passamos então a compreender o porquê de termos desenvolvido um sentido exclusivamente feito para perceber vibrações no ar à nossa volta. Durante toda a nossa evolução, em nossa relação com o meio ambiente, nós alternamos o papel de predador ou de presa. Ser capaz de sentir movimentos no ar em volta era, portanto, literalmente questão de vida ou morte. Precisávamos "sentir" se algum predador estava chegando ou para que lado uma presa estava fugindo. Essa necessidade foi tão grande que desenvolvemos um sentido exclusivo para essa tarefa.

Fazendo uma analogia com a tecnologia de áudio disponível atualmente, é como se o ser humano já viesse de "fábrica" com dois supermicrofones embutidos na cabeça, e o cérebro fosse ao mesmo tempo o equalizador e o hardware onde os sons são gravados (nossa memória) e rodam via software, respondendo ao nosso comando (vontade).

Outros animais como os peixes também possuem essa capacidade de sentir movimentos no ambiente, só que para estes a sensação não chega como som, mas como tato, pois eles sentem no corpo inteiro as vibrações na água. Essa sensação de sentir o som no corpo inteiro ocorre conosco em situações especiais, como quando estamos em completo silêncio e imobilidade, bem relaxados, e ocorre algum som que não esperamos no ambiente, como uma porta batendo, por exemplo. No momento em que isso ocorre, a sensação não costuma ser agradável, mas nos faz pensar que quando bem relaxados, nós conseguimos que o nosso tato perceba as vibrações sutis no ambiente, que normalmente só percebemos através da audição.

Conclusão: Ouvir é sentir. Pense nisso.


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