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Por estes simples extratos podemos ter uma idéia,
nas filosofias antigas, deste conceito de unicidade. Conceito
este que os físicos modernos se viram obrigados a adotar
desde o momento em que começaram a investigar o mundo subatômico
no começo do século passado (séc. XX). Essa
nova física, chamada Física Quântica, expressa
a realidade da mesma maneira que as antigas filosofias. Essa "nova"
visão do mundo e seus paralelos com a espiritualidade,
principalmente a oriental, chegaram até nós numa
linguagem compreensível para os não iniciados em
física, através do físico Fritjof Capra no
seu livro, hoje clássico nos meios espirituais, "O
Tao da Física", do ano de 1973, do qual extraio o
seguinte trecho do capítulo 10 chamado "A unidade
de todas as coisas":
"A característica mais importante
da visão oriental do mundo - poder-se-ia mesmo dizer, a
essência dessa visão - é a consciência
da unidade e da inter-relação de todas as coisas
e eventos, a experiência de todos os fenômenos do
mundo como manifestações de uma unidade básica.
Todas as coisas são encaradas como partes interdependentes
e inseparáveis do todo cósmico; em outras palavras,
como manifestações diversas da mesma realidade última.
As tradições orientais referem-se constantemente
a essa realidade última, indivisível, que se manifesta
em todas as coisas e da qual todas as coisas são partes
componentes. Essa realidade é denominada Brahman, no Hinduísmo;
Dharmakaya, no Budismo; Tao, no Taoísmo".
"... A unidade básica do universo
não constitui a única característica central
da experiência mística; ela é, igualmente,
uma das mais importantes revelações da Física
moderna".
O trecho a seguir vem do prefácio escrito
por Capra para o livro "Nada Brahma - A música e o
universo da consciência" de Joachim-Ernst Berendt,
de 1983. Assim como o "Tao da Física" é
um clássico para quem gosta de física e espiritualidade,
os livros de Berendt, músico, autor de livros de jazz e
produtor de diversos festivais de música, são clássicos
obrigatórios para quem gosta de música e espiritualidade.
O fato de Capra escrever o prefácio do livro de Berendt
nos dá o link necessário para unir a espiritualidade,
a física e o som num só acorde harmonioso:
"Desde a antiguidade se diz que a natureza
da realidade está muito mais próxima da música
do que da máquina, e essa afirmação foi comprovada
por muitas descobertas da ciência moderna. A essência
de uma melodia não está nas notas que a compõem,
está nos relacionamentos entre as notas, os intervalos,
as freqüências e os ritmos. Quando uma corda começa
a vibrar, não ouvimos só uma única tonalidade;
captamos também as suas subtonalidades - toda uma escala
ressoa. Assim sendo, cada nota subentende todas as outras, da
mesma forma como cada partícula subatômica implica
todas as demais, segundo as últimas postulações
da física das partículas".
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