- Olá pessoal, aqui estamos
novamente reunidos para lançarmos olhares (ou melhor,
ouvidos) espirituais em direção ao som e à
música.
Na coluna passada, demos uma olhada na natureza
daquilo que chamamos de som. Começamos também
a perceber características do som que o aproxima de conceitos
espirituais que vêm sendo passados há milênios
pelas mais diversas filosofias e religiões. Na verdade,
quanto mais olhamos para trás na história da espiritualidade,
mais profunda e presente se mostra a sua relação
com o som e a música. Desde a necessidade quase que unânime
entre as filosofias antigas de expressar a criação
através de manifestação sonora, até
a presença do uso do som e da música como meios
de elevação espiritual e de cura, o fato é
que som, música e espiritualidade sempre estiveram ligados.
Através da análise da forma
de vibração de uma onda sonora, com seus harmônicos,
percebemos que quando soa uma nota, esta contém "dentro"
de si mesma todas as outras, o que confere ao som as mesmas
características do talvez mais profundo conceito espiritual
que possuímos: o da unicidade de todas as coisas. De
que eu, você, e tudo no universo viemos da mesma fonte,
e por essa fonte conter tudo, estamos não somente ligados,
mas somos, em essência, Um. Essa foi a conclusão
básica da coluna anterior. Vamos, agora, buscar referências
desse conceito para ilustrar melhor esse paralelo.
"O universo é no Todo. O Todo
é em todas as coisas."
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"Eu e o Pai somos um."
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"As escrituras estabelecem a absoluta
identidade de Atman e Brahman ao declarar repetidamente: "Isso
és Tu." Os termos "Brahman" e "Atman",
no seu verdadeiro significado, se referem respectivamente
a "Isso" e "Tu."
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Viveka Chuda Mani - A Jóia
Suprema do
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Discernimento - Shankara séc.
VII D.C.
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"Todo este universo, tanto em suas partes como em sua totalidade,
é uma emanação minha, e Eu o penetro com
minha natureza invisível, Eu que sou o Imanifesto".
"Todas as coisas de mim provêm, mas Eu não
tenho origem nelas: em Mim estão todas as coisas, mas
Eu - em minha divindade- não estou circunscrito por elas."
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"O Universo e eu existimos juntos,
e todas as coisas e eu somos uma unidade. Visto que todas
as coisas formam uma unidade, não há mais razão
para o discurso a respeito. Mas visto que acabei de dizer
que todas as coisas são uma unidade, como é
que o discurso pode deixar de ser importante?"
"Por trás das partes sempre existe algo indivisível.
Por trás do que se discute, sempre existe algo que
não admite discussão. Você pergunta: o
quê? O sábio guarda-o em seu coração."