Ensaio sobre o medo
Uma análise sobre o medo e sua relação com
a espiritualidade com base em reflexões sobre os resultados
de uma experiência pessoal.
O estudo da espiritualidade, como todos os assuntos que nos propusermos
a estudar, está cheio de obstáculos a serem superados.
Pode-se dizer que as crenças pessoais relacionadas a paradigmas
negativos são os principais entraves para nosso desenvolvimento
nesta área.
Por ser um campo muito subjetivo, desconhecido
objetivamente pela maioria de nós, e por ter sido explorado
de maneira fantasiosa por autores de filmes e livros, a espiritualidade
acaba trazendo, em sua parte prática, muitas questões
relacionadas ao medo.
Venho freqüentando o CEFLE há aproximadamente
um ano, o que fez com que aumentasse a freqüência e a
intensidade de práticas bioenergéticas. Com isso,
pude perceber que o medo se manifestava de diferentes formas, na
maioria das vezes diminuindo o rendimento das mesmas.
Conversando sobre esse assunto com a Luiza (uma
amiga que participa do CEFLE), resolvemos organizar uma prática
semanal com os objetivos de desenvolvimento bioenergético,
aprendizado, assistência e observação das reações
frente à circunstância apresentada.
A prática escolhida foi a destinada ao desenvolvimento
da clarividência, em que se utiliza uma lâmpada de luz
infra-vermelha, que concluímos ser a que está mais
relacionada a paradigmas restritivos e crenças ligadas a
circunstâncias de medo. A idéia é realizar esse
exercício em um ambiente conhecido e preparado - como o CEFLE,
e com mais pessoas, para que algumas preocupações
sejam descartadas e apenas o medo relacionado diretamente à
prática possa se manifestar de forma controlada e, assim,
ser analisado, compreendido e desmontado.
Depois de algumas tentativas que acabaram não
dando certo por dificuldades pessoais (talvez resultado do medo
de enfrentar a situação...), na última quarta-feira
(23/07/2003) fui ao CEFLE, uma vez que havíamos combinado
de fazer o exercício às quartas, das 19:00hs às
20:00hs. Este tempo seria dividido em três fases: os primeiros
quinze minutos para a limpeza dos chakras, meia hora para a prática
em si e os quinze minutos finais para comentários e discussões.
Fui o primeiro a chegar. Coloquei uma música
tranqüila (pois o medo já começava a se manifestar
na forma de ansiedade), arrumei as cadeiras, preparei a lâmpada,
deixei tudo pronto. O coração começou a bater
mais rápido - ninguém chegava! Esperei mais alguns
minutos enquanto fazia um relaxamento, e decidi fazer o exercício
sozinho, mesmo sentindo o medo me dizendo para deixar tudo prá
lá e ir embora...
Comecei a fazer a limpeza dos chakras, fui me acalmando,
concentrei no frontal pensando em lucidez e discernimento, e fiz
a prática toda, sem resultados objetivos com relação
à clarividência, mas resultados muito interessantes
com relação ao meu comportamento frente a essa situação.
Enquanto arrumava as coisas para ir embora, refleti sobre tudo o
que tinha acontecido e cheguei às seguintes conclusões:
- o medo não é algo ruim; ele faz parte do nosso
instinto de preservação, nos alerta quando há
algo que possa nos colocar em perigo. Assim, o medo não
deve ser anulado nem ignorado, mas deve ser analisado com discernimento
e servir como um gatilho para disparar a lucidez e a atenção;
- dentre os vários aspectos do medo, há o medo de
sentir medo, proveniente da crença de que o medo acarreta
dor e descontrole, ou ainda por receio de demonstrar fragilidade.
Mais uma vez, o discernimento e a auto-observação
são os instrumentos para desmontar esses paradigmas;
- o medo é uma resposta emocional baseada em crenças
a partir de algum estímulo externo que possa nos oferecer
algum risco e pede, portanto, um estado maior de atenção.
Porém, o medo também pode surgir do nosso interior,
a partir da imaginação, de fantasias, de padrões
negativos e de crenças. Esse tipo de medo é o que
ao invés de nos preservar de algum perigo, nos impede de
progredirmos e nos aperfeiçoarmos, por ser baseado em crenças
em valores errôneos, devendo ser transformados;
- o medo pode ser minimizado através do esclarecimento
e do estudo, já que o desconhecido e o inexplicável
são encarados como elementos que oferecem insegurança,
descontrole e, conseqüentemente, medo. Um embasamento teórico
e racional fortalece a sensação de familiaridade
com o assunto e diminui os efeitos do medo;
- durante toda nossa vida absorvermos crenças negativas
das mais diversas maneiras possíveis, e assim foram sendo
construídos nossos paradigmas. Não se pode ter consciência
de todos os elementos constituíntes desses paradigmas negativos
sem um procedimento que permita uma prática de auto-observação.
A exposição deliberada a uma situação
controlada que dispare o medo mostrou-se bastante eficiente para
revelar aspectos ocultos do medo, tornando sua compreensão
mais abrangente e realista.
O medo não deve ser visto como algo ruim,
mas ser entendido e transformado em um mecanismo de alerta consciente
e conhecido racionalmente; assim, ele se torna uma ferramenta a
favor do nosso crescimento pessoal.
Gostaria de compartilhar estes resultados com vocês
para discutirmos e aprendermos juntos. Aguardo comentários!
Dênis Elias |