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ÁREA DO INTERNAUTA

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necessariamente, a opinião de todos os membros do CEFLE
texto: 01
por Dênis Elias - 22/08/2003

Ensaio sobre o medo
Uma análise sobre o medo e sua relação com a espiritualidade com base em reflexões sobre os resultados de uma experiência pessoal.

O estudo da espiritualidade, como todos os assuntos que nos propusermos a estudar, está cheio de obstáculos a serem superados. Pode-se dizer que as crenças pessoais relacionadas a paradigmas negativos são os principais entraves para nosso desenvolvimento nesta área.

Por ser um campo muito subjetivo, desconhecido objetivamente pela maioria de nós, e por ter sido explorado de maneira fantasiosa por autores de filmes e livros, a espiritualidade acaba trazendo, em sua parte prática, muitas questões relacionadas ao medo.

Venho freqüentando o CEFLE há aproximadamente um ano, o que fez com que aumentasse a freqüência e a intensidade de práticas bioenergéticas. Com isso, pude perceber que o medo se manifestava de diferentes formas, na maioria das vezes diminuindo o rendimento das mesmas.

Conversando sobre esse assunto com a Luiza (uma amiga que participa do CEFLE), resolvemos organizar uma prática semanal com os objetivos de desenvolvimento bioenergético, aprendizado, assistência e observação das reações frente à circunstância apresentada.

A prática escolhida foi a destinada ao desenvolvimento da clarividência, em que se utiliza uma lâmpada de luz infra-vermelha, que concluímos ser a que está mais relacionada a paradigmas restritivos e crenças ligadas a circunstâncias de medo. A idéia é realizar esse exercício em um ambiente conhecido e preparado - como o CEFLE, e com mais pessoas, para que algumas preocupações sejam descartadas e apenas o medo relacionado diretamente à prática possa se manifestar de forma controlada e, assim, ser analisado, compreendido e desmontado.

Depois de algumas tentativas que acabaram não dando certo por dificuldades pessoais (talvez resultado do medo de enfrentar a situação...), na última quarta-feira (23/07/2003) fui ao CEFLE, uma vez que havíamos combinado de fazer o exercício às quartas, das 19:00hs às 20:00hs. Este tempo seria dividido em três fases: os primeiros quinze minutos para a limpeza dos chakras, meia hora para a prática em si e os quinze minutos finais para comentários e discussões.

Fui o primeiro a chegar. Coloquei uma música tranqüila (pois o medo já começava a se manifestar na forma de ansiedade), arrumei as cadeiras, preparei a lâmpada, deixei tudo pronto. O coração começou a bater mais rápido - ninguém chegava! Esperei mais alguns minutos enquanto fazia um relaxamento, e decidi fazer o exercício sozinho, mesmo sentindo o medo me dizendo para deixar tudo prá lá e ir embora...

Comecei a fazer a limpeza dos chakras, fui me acalmando, concentrei no frontal pensando em lucidez e discernimento, e fiz a prática toda, sem resultados objetivos com relação à clarividência, mas resultados muito interessantes com relação ao meu comportamento frente a essa situação. Enquanto arrumava as coisas para ir embora, refleti sobre tudo o que tinha acontecido e cheguei às seguintes conclusões:

  • o medo não é algo ruim; ele faz parte do nosso instinto de preservação, nos alerta quando há algo que possa nos colocar em perigo. Assim, o medo não deve ser anulado nem ignorado, mas deve ser analisado com discernimento e servir como um gatilho para disparar a lucidez e a atenção;
  • dentre os vários aspectos do medo, há o medo de sentir medo, proveniente da crença de que o medo acarreta dor e descontrole, ou ainda por receio de demonstrar fragilidade. Mais uma vez, o discernimento e a auto-observação são os instrumentos para desmontar esses paradigmas;
  • o medo é uma resposta emocional baseada em crenças a partir de algum estímulo externo que possa nos oferecer algum risco e pede, portanto, um estado maior de atenção. Porém, o medo também pode surgir do nosso interior, a partir da imaginação, de fantasias, de padrões negativos e de crenças. Esse tipo de medo é o que ao invés de nos preservar de algum perigo, nos impede de progredirmos e nos aperfeiçoarmos, por ser baseado em crenças em valores errôneos, devendo ser transformados;
  • o medo pode ser minimizado através do esclarecimento e do estudo, já que o desconhecido e o inexplicável são encarados como elementos que oferecem insegurança, descontrole e, conseqüentemente, medo. Um embasamento teórico e racional fortalece a sensação de familiaridade com o assunto e diminui os efeitos do medo;
  • durante toda nossa vida absorvermos crenças negativas das mais diversas maneiras possíveis, e assim foram sendo construídos nossos paradigmas. Não se pode ter consciência de todos os elementos constituíntes desses paradigmas negativos sem um procedimento que permita uma prática de auto-observação. A exposição deliberada a uma situação controlada que dispare o medo mostrou-se bastante eficiente para revelar aspectos ocultos do medo, tornando sua compreensão mais abrangente e realista.

O medo não deve ser visto como algo ruim, mas ser entendido e transformado em um mecanismo de alerta consciente e conhecido racionalmente; assim, ele se torna uma ferramenta a favor do nosso crescimento pessoal.

Gostaria de compartilhar estes resultados com vocês para discutirmos e aprendermos juntos. Aguardo comentários!

Dênis Elias

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